A indústria da arquitectura tem um problema estrutural, e toda a gente concordou em fingir que é normal. Um cliente contrata um arquitecto. O arquitecto desenha. Depois um empreiteiro constrói. Duas empresas separadas, duas agendas separadas, duas definições separadas daquilo a que se chama bom. O arquitecto quer preservar a visão. O empreiteiro quer entregar a obra dentro do prazo e do orçamento. Algures, no espaço entre os dois, o projecto sofre em silêncio.
Detalhes são engenheirados para fora. Materiais são substituídos. A fenda entre o que foi desenhado e o que é construído alarga-se — devagar, invisivelmente, de maneiras que o cliente muitas vezes só repara quando já vive com o resultado. Por essa altura, o desenho está numa pasta, o empreiteiro está noutra obra, e o arquitecto disse educadamente não foi isso que se prescreveu três vezes em três emails que nada mudaram.
Isto não é falha de indivíduos. Os arquitectos não são preguiçosos. Os empreiteiros não são desleixados. Os clientes não são ingénuos. É uma falha do modelo — um modelo que a indústria, por razões de conforto e transferência de risco, decidiu não questionar.